Será que a maternidade é capaz de ajudar no aprendizado ou no aperfeiçoamento da liderança?

Por experiência própria, eu posso te garantir que sim. Sou mãe de primeira viagem e, mesmo meu filho tendo apenas 1 ano e 3 meses, já tive muitos aprendizados neste sentido. Comemorando o dia das mães hoje, venho compartilhar neste artigo 3 das lições de liderança que aprendi ou aperfeiçoei com a maternidade.

Estes aprendizados já começaram na gestação, pois quando descobri ser guardiã de um pequeno ser tão frágil e dependente de mim, que sofreria impactos qualquer escolha que eu fizesse para mim mesma, passei a pensar duas vezes nas minhas decisões, questionando-me se o que era bom pra mim, também seria bom pra ele.

Ao pesquisar no Google o significado de ser mãe, uma das explicações é: “mudar a sua vida, seu tempo, seu pensamento, dar todo o seu coração, seu amor para levar seus filhos adiante e ensiná-los a viver”.

E assim sendo, minha vida acabou sendo transformada: continuei realizando minhas atividades profissionais com o mesmo empenho, viajando frequentemente como de costume, conforme a exigência do meu cargo de coordenadora da Região Sul do Brasil na época, redobrei os cuidados com a alimentação e com os exercícios de alongamento e fortalecimento, sempre pensando no nosso desenvolvimento saudável neste período compartilhado. Desta forma podemos começar a pontuar 3 lições:

  • Tomada de decisão: objetivando cumprir um propósito maior e com um pensamento do bem comum para realizar a meta de chegar ao final da gestação o mais saudável possível e com um bebê saudável, precisei fazer muitas escolhas, mesmo sem ter a certeza se eu estava optando pelo melhor para nós.

Ainda falando em exercícios físicos, acabei abdicando da prática da escalada nesta fase, uma atividade que me faz muito bem, mas um tanto impactante para a gestação… é bem verdade que romper o ligamento do joelho e ficar impedida de praticar esportes, ainda no início da gestação, contribuiu muito para que eu aceitasse esta mudança radical em conformidade total. De qualquer forma, a escolha de permanecer afastada, mesmo ao recuperar o joelho, ainda foi minha. E aqui, ainda precisei optar por substituir os exercícios por fisioterapia a gestação toda, para fortalecer o joelho e não comprometê-lo com o peso da gestação.

E depois nascimento, nem sei listar as tomadas de decisões onde tive que utilizar o tão famoso instinto materno, pois inúmeras são as situações de saúde e fisiologia do recém-nascido que nos deixam na dúvida do quanto é necessário se abalar e correr para uma consulta profissional ou é só algo da rotina que preocupa por ser a primeira viagem, mas a gente pode resolver com mamada, sono e paciência sem maiores riscos.

A tomada de decisão é uma constante na liderança. Mesmo que o líder tenha uma equipe comprometida e engajada que participa ativamente das discussões e busca de soluções, a decisão final e a responsabilidade desta decisão é competência do líder. Além disso, muitas decisões tomadas pelo líder podem impactar diretamente na vida de seus liderados, profissionalmente e até pessoalmente.

  • Adaptabilidade: outra competência que pude aperfeiçoar já desde a gestação. Mudanças físicas, na rotina de sono, necessidades alimentares frequentes, atenção com a pressão, foram algumas das situações que tive que me adaptar em meio a toda a rotina durante a gestação. E no pós-parto? Acho que esta fase exigiu mais ainda esta competência: horas reduzidas de sono intercaladas com as mamadas (não voltei ao normal até hoje), a capacidade de deixar necessidades básicas para depois para priorizar as necessidades do bebê, abdicar de exercícios físicos por 60 dias até recuperar e ser liberada (que no meu caso fazem muita diferença para minha saúde física, relaxamento e também saúde mental).

 Ficar em casa, ou sair muito pouco, com as horas contadas, por muitos dias consecutivos. Esta foi uma mudança radical pra mim, pois eu praticamente ficava em casa apenas aos finais de semana.  Mas o melhor de tudo, é que fui capaz de me sentir bem por estar junto ao meu bebê que precisava tanto de mim.

No exercício da liderança, bem como para todos os profissionais no mercado de trabalho, esta competência tem sido cada vez mais requisitada e muito desejada. No momento de pandemia que estamos vivendo, ela se faz mais do que necessária para encarar o novo cenário e ter a coragem de se reinventar, com as ferramentas e conhecimentos que temos ao nosso alcance, fazendo o nosso melhor dentro do novo possível. Tudo mudou, e o que não muda é a necessidade de dar continuidade aos negócios e manter a economia funcionando de uma forma diferente.

  • Desafiar-se: com a maternidade veio também o término de um ciclo profissional e a necessidade de reinventar a carreira, iniciar um novo desafio. Desta forma, tomei a decisão de seguir o meu coração e, mesmo com um bebê de 5 meses nos braços, resolvi tirar os sonhos da gaveta e empreender. Não sei ainda dizer o quanto de desafio e o quanto de loucura teve nesta decisão, mas prefiro encarar esta escolha como um desafio daqueles que surgem em forma de oportunidade única e não podemos deixar passar, que podem parecer até loucura no primeiro momento, mas que depois de 5 anos terão se tornado a melhor escolha da vida. Afinal, eu acredito no Walt Disney ”Se podemos sonhar, podemos realizar” e prefiro levar um não na busca do sonho, do que me conformar com o não que já tenho.

Um líder precisa desafiar a si mesmo muitas e muitas vezes, na busca da inovação, de autoconhecimento para o aperfeiçoamento, de encontrar novos caminhos para conduzir sua equipe e seus negócios. Um líder precisa desafiar-se para questionar suas certezas e convicções, pois é assim que muitas vezes percebe o quanto pode desenvolver e alcançar melhores resultados.

Que eu possa continuar nesta caminhada de transformação e me tornar uma verdadeira líder, especialmente para o meu filho, sendo exemplo e fonte de inspiração para o grande líder que ele pode se tornar. Afinal, líder é aquele que inspira e serve de exemplo, e tem como grande missão desenvolver novos líderes!

Convido você a valorizar hoje e todos os dias as mulheres mães que exercem este papel de líder, tão pouco reconhecido ainda em nossa sociedade.

Compartilhe com sua amiga e colega de trabalho que precisa ser reconhecida e valorizada por esta capacidade quase “inata” de liderar. Compartilhe com quem você acredita que deveria ler este artigo para valorizar mais as competências das mulheres e mães.

Deixe seus comentários e sugestões, vou adorar saber se você compartilha ou não de idéias semelhantes.

Feliz dia das mães líderes, todos os dias!

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